segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Depressão


Esvaziamento, angústia, tristeza, aperto no coração, sofrimento sem fim. Há quem perca o chão, a fé e até a vontade de viver. Comer, dormir, sair de casa, levantar da cama, nada faz sentido. 
Um quarto escuro pode ser o maior conforto. Quem sente ou sentiram na pele os sintomas de uma depressão entende bem os relatos. Aqueles que não passaram pelo problema apenas imaginam e alguns pensam se tratar de fraqueza ou frescura. A morte do ator Robin Williams, que tirou a própria vida possivelmente acometido por quadro depressivo, reacendeu as discussões sobre a enfermidade.
Estima-se que a doença, cercada de estigmas e preconceitos, atinja cerca de 30% da população. De cada três pessoas, pelo menos uma teve, tem ou terá algum episódio depressivo durante a vida, segundo a Associação Mineira de Psiquiatria. Tratamentos incluem remédios e terapia.



 “O preconceito faz com que se interprete como se fosse frescura. Não é”, enfatiza o psiquiatra Maurício Leão, presidente da Associação Mineira de Psiquiatria. A enfermidade pode ocorrer em qualquer fase da vida, mas é mais diagnosticada entre adultos, mais comum em mulheres e tem base orgânica e biológica, sendo, às vezes, genética e hereditária. “Quando não tratada,’ emburrece’, pois as pessoas tendem a ter o comprometimento das funções cognitivas e começam a se sentir, literalmente, burras, efeito que diminui o funcionamento das funções psíquicas superiores. Além disso, engorda, por causa do aumento de cortisol, hormônio ligado ao metabolismo, e mata”, afirma Leão. 

O médico destaca que a doença enfrenta três dificuldades: identificá-la, aceitá-la e lutar contra o preconceito. Comumente confundida com tristeza, o psiquiatra esclarece: “É diferente de tristeza. Depressão é doença, enquanto a outra é um estado psíquico, emocional, ligado à história de vida e a eventos desagradáveis na vida de uma pessoa”. Para identificá-la, é preciso estar atento aos sinais que se manifestam nas esferas psicológica, biológica, comportamental e afetiva.

Tratamento

Mas médicos avisam que é possível – e desejável – cuidar do paciente sem que ele deixe de realizar tarefas e de levar sua vida normalmente. Medicamentos, psicoterapia e hábitos saudáveis de vida ajudam na cura e na prevenção de novos episódios. “Um dos mitos é que remédio psiquiátrico faz mal e causa dependência. Antidepressivos não produzem dependência, os tratamentos é que são longos”, afirma Maurício Leão. Os tratamentos são de no mínimo um ano e a maior parte dos medicamentos leva até dois meses para fazer efeito.

Efeitos colaterais são bem tolerados pelo organismo e os remédios não deixam o paciente paralisado, como alerta o psiquiatra Rodrigo Mendes D’Angelis, professor de psicoterapia humanista da Universidade Fumec. Ele explica que a psicoterapia também é indicada. “Os sintomas afetam a dinâmica e a rotina do paciente e, por isso, a psicoterapia é necessária com uma frequência considerável. Ela ajuda no controle de outros componentes, como a desilusão que os sintomas trazem.” A terapia ajuda a expor as angústias e evitar a pior das consequências. “Essa escuta ajuda a pessoa a não se restringir àquele mundo de sombras”, diz D’Angelis.


CAMINHO DA RECUPERAÇÃO

Pacientes relatam melhora com remédios e ajuda profissional e médicos alertam que preconceito por parte de parentes e amigos dificulta o tratamento


A perda repentina do irmão, amigo de todas as horas e referência familiar, deixou a professora C., de 57 anos, sem chão. Há dois anos, ela se viu em estado de desorientação total, sem o controle da própria vida, de horários, dos estudos. De uma hora para outra, ela entrara num túnel escuro e ele não tinha saída. Tentava ajuda das pessoas, mas não via solução. Estava sempre mergulhada numa tristeza profunda, sem esperança nem perspectivas. Pouco tempo depois, começou a sentir, fisicamente, a sensação de que “o coração estava enorme, havia triplicado de tamanho e não cabia mais no tórax”. “Essa é a sensação real da angústia, no mais alto grau. Quanto mais eu respirava, mais meu coração crescia e forçava meu corpo. Entrei em pânico. Lutava diariamente contra essa sensação horrível e no fim do dia eu estava exausta por tentar combatê-la”, conta.

Hoje, C. se cobra por ter tentado durante muito tempo resolver o problema sozinha. Procurou ajuda médica influenciada pelo filho, um psicólogo de 32 anos, que notou as alterações na mulher antes sensata, organizada e de pés no chão. As aulas de inglês, marcadas pelas gargalhadas, brincadeiras e piadas, deram lugar à tristeza, à amargura e à seriedade. A professora começou terapia com uma psicóloga, que a indicou ao psiquiatra, dada a gravidade do caso e a necessidade de medicamentos. Foi preciso parar de trabalhar por alguns dias, até a retomada gradual das atividades. Há quase dois anos, ela toma os mesmos remédios, sem alteração de quantidade e dosagem. “Me tiraram do fundo do poço”, relata. “As pessoas têm respostas diferentes. Umas só ficam deitadas, outras só choram, e eu tive essa reação forte de não ter direção, não ter um referencial de vida”, relata.
“Às vezes, ouço alcóolatras e drogados falarem que estão na lama e sei o que é isso. Estive atolada até o nariz. Consegui colocá-lo para fora, mas ainda dói muito. Paro, lembro, choro, mas não passa disso”, afirma. Por experiência própria, C. alerta que medicamento, sozinho, não faz milagre. “Ajuda 60%. O contato com o médico, que passa a ser seu amigo, é imprescindível. Ele vai te orientar no momento de confusão, de loucura, te dar a mão, te conduzir e mostrar as opções disponíveis.”

Incompreensão..


O preconceito ela também sentiu na pele, daqueles que pensam ser a depressão própria dos ociosos – ela trabalha de manhã até o fim da noite, na escola de idiomas da qual é dona. Não foram raras as vezes em que ouviu “conselhos” de que para melhorar bastava fazer uma faxina ou lavar roupa. “O depressivo que passa por crise forte é como um alcoólatra: tenta viver um dia de cada vez. Hoje, vou tentar ter um dia legal, ser mais generosa comigo, gostar mais de mim. O que quero é, no fim do dia, ver que consegui segurar a barra sozinha, pois antes eu não conseguia.”

O psiquiatra Maurício Leão, presidente da Associação Mineira de Psiquiatria, explica que, assim como ocorreu com a professora, um sintoma de depressão é quando o doente sente que não corresponde a exigências da sociedade, como autossuficiência, valorização do sucesso, determinação, pragmatismo e alegria. “Num primeiro momento, o doente tenta lutar contra isso até por acreditar que força de vontade seja suficiente. Mas, aos poucos, constata que não. E percebe que é raro ter a liberdade de comentar sobre o problema com pessoas mais íntimas”, diz Leão.

“Há um fator dificultador quando mesmo pessoas próximas começam a dizer ao paciente que é bobagem, que é preciso sair de casa, trabalhar menos, praticar mais esporte. Como o depressivo está com a vontade comprometida, não tem ânimo de fazer essas atividades.” Sem estímulo dos mais próximos para buscar ajuda, o rompimento com o preconceito acaba ocorrendo, muitas vezes, pelo próprio doente, que chega no limite do insuportável.

Parede A mineira D., de 37 anos, também está em tratamento. Recentemente, ela conta ter começado a enxergar “problemas muito maiores do que realmente eram”, até perceber que nada estava normal. Depois de começar tratamento, mudou a visão em relação ao presente e ao futuro. “A depressão põe uma parede e a impressão é de não haver saída. E a verdade não é essa”, diz.

Antes de buscar tratamento, ela teve estresse, dissabores no trabalho e sensações ruins que vinham repentinamente. “É uma colisão de vários problemas ao mesmo tempo em que desencadeia o processo. E se você está sozinha, não enxerga a depressão. Começa a cair num buraco e, se não tiver a família ou alguém que se importe com você para ajudar, é difícil sair desse quadro”, conta. “O melhor da depressão é perceber que você está nela. Estresse é normal e as coisas são difíceis. Se puser a culpa na vida e uma carga pesada nisso, fica difícil. Conseguir enxergar além do muro à sua volta é fundamental.” 




AJUDA DA FAMÍLIA É FUNDAMENTAL

Especialistas alertam que o suporte familiar é componente fundamental de cura da depressão, assim como o apoio de amigos e colegas de trabalho. “Essas pessoas têm papel essencial, mas não para responsabilizar, e sim como suporte. Às vezes, os parentes se sentem angustiados, culpados, e algumas questões familiares vêm à tona a partir daquele quadro clínico”, diz o psiquiatra Rodrigo Mendes D’Angelis, professor de psicoterapia humanista da Universidade Fumec. “É importante se concentrar no problema para o restabelecimento do paciente”, acrescenta. Segundo ele, medo e insegurança são normais, mas os parentes devem ser orientados a lidar com esses sentimentos para ajudar no tratamento e não permitir espaço para culpa e preocupação, evitando assim que a doença tome conta de todo o núcleo familiar.

A abordagem com o paciente e a indicação de que ele precisa de tratamento também deve ser cautelosa. “O depressivo está tão esvaziado que não se opõe tanto, embora apresente um negativismo em relação à ideia”, relata o médico. Ele sugere, antes de optar pela terapia forçada, autorizada em caso de risco iminente para a pessoa (físico ou de vida), opções como visita domiciliar de profissionais na tentativa de uma abordagem gradativa ou o contato dos familiares com o médico para serem orientados. “Quando o paciente começa a tomar o medicamento, a melhora do humor facilita o contato.”

O extremo é perder a vontade de viver. “As ideias de morte vêm para sair de situação angustiante e conflitante, mais do que o desejo propriamente de morrer. Mas há quadros depressivos em que a falta de perspectiva e a angústia são tamanhas que a pessoa deseja a morte, porque a vida está insuportável”, afirma D’Angelis. O psiquiatra diz que uma em cada 20 pessoas é acometida por episódio depressivo moderado ou grave. A literatura psiquiátrica afirma que até 15% de deprimidos graves se suicidam. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1 milhão de pessoas por ano tiram a própria vida acometidas pela doença, que é hoje a principal causa de afastamento do trabalho e de suicídio – em deprimidos, a incidência é sete vezes maior do que na população em geral. “Não pode ficar só no quadro familiar, a depressão deve ter atenção de toda a sociedade”, destaca Rodrigo D’Angelis.

Ele lembra que na vida moderna há componentes como estresse, falta de tempo e cobranças que são gatilhos para a ansiedade e sintomas para a depressão. Por isso, hábitos saudáveis são imprescindíveis na prevenção e no controle da enfermidade. Durante a prática de exercícios físicos, o organismo produz antidepressivo natural – a serotonina. “A depressão é séria e não podemos banalizá-la.” 



INTERNAÇÕES NO SUS SOBEM 14,7%

Os diagnósticos de depressão têm aumentado nos últimos anos, segundo profissionais, impulsionado, possivelmente, por dois fatores: o ritmo de vida moderno tem gerando mais doentes e, por outro lado, número maior de afetados procura ajuda. As secretarias de Estado e Municipal de Saúde não sabem informar quantos são os pacientes diagnosticados com depressão atendidos nas respectivas redes. Médicos são unânimes: quanto mais cedo se procura ajuda médica, maiores são as chances de cura.

De acordo com o Ministério da Saúde, de 2003 a 2013, houve aumento de 14,7% no número de internações no Sistema Público de Saúde (SUS) por depressão no país. A quantidade de pessoas que ocuparam os leitos hospitalares saltou de 53.700 para 61.604 em uma década. A internação é indicada para pacientes em estágio tão avançado da doença que não conseguem se alimentar, sair da cama, aceitar medicamento ou têm a vida em risco.

O clínico-geral Geraldo Carvalhaes, especializado em dores crônicas e em atendimento a pacientes com depressão, concorda que a incidência da doença é alta, mas alerta que, muitas vezes, é má diagnosticada pelos médicos e interpretada de forma errada pela família do doente. Segundo ele, grande parte dos clínicos não faz diagnóstico da depressão e não há número suficiente de psiquiatras no país para atender a demanda. “Além de não haver formação adequada, a medicina hoje é corrida, com atendimentos de 10 a 15 minutos. Para se fazer um diagnóstico de depressão, são necessárias até três consultas de pelo menos uma hora”, diz.





Fonte: Saúde Plena -  http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2014/08/17/noticia_saudeplena,149891/confundida-com-tristeza-depressao-atinge-30-da-populacao-brasileira.shtml

2 comentários:

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