sábado, 11 de janeiro de 2014

Você sabia que nem todos os comprimidos podem ser partidos?


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desde 2003 vem alertando a população a respeito da prática de dividir o comprimido ao meio. Uma prática que se disseminou devido aos planos privados de assistência à saúde que incentivavam os beneficiários de partir o comprimido como um meio de economizar custos, devido o crescente aumento dos custos terapêuticos e ao acesso a medicação disponível prescrita. Procedimento este, comumente praticado por leigos e, esporadicamente, pelos profissionais de saúde. Esta é uma prática muito comum no Brasil, onde os pacientes em algumas situações dividem o comprimido para reduzir o custo das medicações. No entanto, além da questão econômica, o paciente deve pensar na eficácia do tratamento.
A partição do comprimido ao meio é prejudicial aos tratamentos de saúde, especialmente se o produto for de liberação sustentada (liberado durante todo o dia no organismo) ou se o produto tem como objetivo atingir uma área específica do organismo, antes de se dissolver por completo. Isso não significa que nenhum medicamento possa ser partido, mas este processo deve ser discutido pelo médico, farmacêutico e paciente.
 Em algumas situações, esta conduta é uma opção viável, uma vez que o comprimido de 20mg de determinado produto pode ter o mesmo preço de um comprimido de 40mg. No caso, usar a metade de um comprimido de 40mg pode ser uma opção de custo eficaz, mas tal decisão suplanta a economia, pois, a segurança do paciente deve prevalecer. Além de ser usada para a diminuição do custo, se tornou uma mania muito comum partir os medicamentos ao meio para facilitar a ingestão.
“Existem remédios que tem divisão própria no comprimido, o que indica que podem ser repartidos, pois não haverá comprometimento da dosagem medicamentosa. Mas os remédios que não têm essa divisão não devem ser cortados ao meio. Alguns medicamentos são desenvolvidos para se dissolverem aos poucos; logo, cortando-os ao meio acaba-se prejudicando seu efeito. Sem contar que a dosagem correta pode ser perdida no processo de partir”, explica Dr. Paulo Aligiere, assistente médico da Fundação do Remédio Popular de SP.



Um estudo foi realizado por experientes acadêmicos de Farmácia, publicado na edição do periódico da Associação Americana de Farmacêuticos (JAPhA), utilizando um aparelho para a partição de comprimidos e observou-se que foi produzido comprimidos partidos mais higiênicos, quando comparados aos manualmente partidos. Porém, mesmo sob-rigorosas e controladas condições, os resultados foram uma combinação de aspectos favoráveis e desfavoráveis, uma vez que alguns comprimidos se dividem em mais de dois pedaços devido à pressão do instrumento cortante; em outros, os comprimidos se dividem em partes relativamente iguais, mas suas bordas ficam disformes ou o revestimento dos comprimidos se desintegra ou se esfarelam, após a partição. Estes resultados podem ser observados pelos pacientes no ato da partição de comprimidos. Assim, a partição do comprimido ao meio pode e, frequentemente, afeta a posologia. Neste caso, o paciente não tem a garantia de receber a dose correta da medicação necessária ao tratamento, redirecionando os potenciais problemas relativos à medicação e a insuficiente aderência do paciente.
Entende-se assim a importância da discussão sobre a partição de comprimido pelo médico, farmacêutico e paciente, para verificar se é um procedimento útil e uma escolha viável para as medicações prescritas, ao permitir a dose correta da droga ao paciente.
A recomendação prioritária é evitar a partição de comprimidos não sulcados e ter o máximo de cuidado quando partir comprimidos pequenos, especialmente se for revestidos e arredondados, dado a dificuldade de localização do meio. Com isso, observa-se o valor de seguir as orientações farmacêuticas, sobre os tipos de medicamentos que podem ser seguramente partidos ao meio. Pois erroneamente, as pessoas leigas ou não, acham que todos os tipos de comprimidos podem ser partidos. Que dependendo do medicamento, como por exemplo, Antihipertensivos, Ansiolíticos e Anticonvulsivantes, a partição pode alterar a resposta ao tratamento, devido às perdas que se tem ao partir o comprimido. Assim, torna-se claro que a última opção é a partição de comprimidos, principalmente aqueles medicamentos de uso contínuo. 



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